sexta-feira, 16 de maio de 2008

Entrevistando uma Tulipa !!!

Ok, gente boa, vamos publicar mais uma entrevista do Não Se Restrinja Comunications Enterprises. (fazia um tempão desde a última!)

>> Tulipa Ruiz >> é uma talentosíssima cantora paulistana. E faz umas ilustrações lindas também.

(se não acredita visite
http://www.flickr.com/photos/liparu
http://www.myspace.com/tuliparuiz
e tire suas conclusões )

Sem delongas, deixa a Tulipa se apresentar:



1) Tulipa, seu pai tocava com o Itamar Assumpção? Seu irmão também é músico?
Como foi crescer num ambiente muito musical, tinha uma hora que vc enchia o saco e pedia pra fazer silêncio? Como é trabalhar em família?


Meu pai tocava com Itamar e yeah, meu irmão também é músico. Nasci no meio da paulicéia doideca e minha mãe logo pegou seus dois rebentos e fugiu pras minas geraEs, pra fazer a gente ouvir um pouco a música do silêncio. Então essa coisa de memórias do Beleléu é mais uma lembrança de berço e engatinhadas. Lembro do medo que eu tinha da Denise em Denúncia, dos camarins com pessoas Gigantes. As referências mais claras ficaram sendo os discos que minha mãe levou na carroça pro clube da esquina. E tinha aquele papo de férias, papai guitarrista, Itamar e lero lero, lero lero, lero lero. Minha mãe sempre instigou na gente essa coisa de música. Mas penso que ela achava o rock anti-pedagógico, sei lá... Quando o Gustavo começou a querer tocar violão de verdade, meninão ainda, minha mãe mandou ele pra um festival de música colonial. E dá-lhe concertos eruditos e música barroca. E ele curtia, começou a tocar com banquinho de músico erudito, postura nobre... Aí ela me colocou numas aulas de piano, que não funcionaram muito porque eu sou mais dispersa que o Gustavo. Mas eu cantava num coral mineiro e depois comecei a fazer umas aulas de canto lírico. Aí comecei a fazer uns sons com o Gustavo e a gente foi descobrindo as histórias juntos, na vitrola democrática lá de casa. E o meu pai em Sampa, nos riffs de guitarra... Entonces, essa coisa de música em casa, vem do meu pai e seus discos (que foram pra Minas com minha mãe), do meu irmão (que desde pequeno manjava a acústica do banheiro) e também vem muito forte da minha mãe, da página do relâmpago elétrico dela. A música é a liga entre a gente. E a gente é tudo meio parecido.

2) Quais são seus projetos musicais atuais?

Tenho feito shows acompanhada de duas guitarras, Gustavo e meu pai. Tá sendo muito legal só voz e guitarra. Tem rolado uma sonoridade que instiga a gente a tocar mais. Canto também no projeto do meu pai, o Pochete Set. O Gustavo Souza, o meu irmão e o André Bedurê também são da banda. No Pochete, rolam as composições do meu pai, altos Itamar e seus devidos riffs e também Rumo, Traffic, Joni Mitchell, Brian Wilson e quem mais chegar (viu Joyce!). Quero gravar um disquinho/epezinho/SMDzinho até o final do ano. Com músicas minhas e dos amigos mais chegados: Dudu Tsuda, Tatá Aeroplano, Junio Barreto e a moçada de São Lourenço.

3) A música te dá um desenvolvimento sustentável, ou você precisa de outras fontes de energia monetária? Você também tem outros talentos, não é?

Eu trabalho como jornalista numa agência de comunicação e faço ilustrações. Meu "ordenado" vem daí, mas vira e mexe a música tá no meio. Nunca assumi essa coisa de cantar, de tentar me sustentar fazendo som. Mas acho que nunca assumi isso porque aí meu compromisso com a música ficaria mais sério. Quer cantar, meu bem? Então estuda, então não semitona, então aprende um instrumento, então vai sacar de harmonia. Ai bate a dúvida: será que eu quero cantar? "Escuta o cd da Rosa Passo e quebra tudo, baby". Então sempre fiquei no vai-não-vai. Trabalho, ganho minha grana (fora da música) e fico livre pra fazer as coisas com a música, meio que sem compromisso. Mas agora a música tem invadido o meu "horário comercial". É show, ensaio. É compromisso. Sinto que o bicho tá pegando, passou a fase café-com-leite. Quer cantar meu bem? Então canta.


4) Qual foi sua composição mais antiga? Existe alguma música sua que dá vergonha de cantar?

A mais antiga chama-se "Paz para todos os Seres", e eu fiz depois de uma viagem transcendental para o ENCA (Encontro Nacional de Comunidades Alternativas) de Paraty. Tenho carinho por ela, porque todos os meus amigos tocavam nas festas com fogueira. A música que eu tenho mais vergonha de cantar chama-se "Seu João", e é uma parceria minha, do Gustavo, do Gabriel Aguiar (violonista carioca) e da Ana Clara, minha prima, que na época devia ter uns seis, sete anos.

Porque?

A gente fez "O seu João" de uma maneira engraçada. A Ana fez o desenho e mandou por carta pro Gabriel, que devolveu com uma história sobre o desenho. Eu e o Gustavo musicamos a história. Foi muito legal esse processo colaborativo. Na época eu não tinha vergonha de cantar e a música virou um hit na família. A música ficou de molho e a retomamos numa roda de violão dos primos, que rolou em Belo Horizonte. Aí que eu saquei que a música que eu e o Gustavo tínhamos feito para a letra era surreal. A letra fala de um personagem de um desenho de criança, cheio de pirulitos e elementos fofos. A gente fez uma música cabeçuda, meio torta, adultinha. A melodia e a harmonia são as bisavós da letra. Hoje em dia é engraçado cantá-la.

E qual lhe deixa mais feliz de cantar?

A felicidade bate quando eu canto "A ordem das árvores", especificamente quando pronuncio a palavra EUCALIPTO.

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Repórter Germano Rabello para o Não Se Restrinja.
"Dipidjurah e você, tudo a ver!"

Um comentário:

Camile disse...

tulipa tulipinha mais linda do jardim, coisa rica