terça-feira, 17 de abril de 2012

Camisa de Vênus _ Só o fim

Vale a pena relembrar essa. Na época eu era muito criança, achava engraçado, mas na verdade é uma canção levemente deprê, uma das mais ácidas e lúcidas deste nosso rock brasileiro anos 80. Segura.

http://youtu.be/841V5AjZOX0

quinta-feira, 8 de março de 2012

Super Morrisey Bros

Smiths Mario tudo a vê!





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sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

PEL MEL

Tem várias bandas boas a serem descobertas da cena australiana / neozelandesa dos anos 80.
PEL MEL é uma dessas bandas, com tendências new wave/ pós punk! Sonzinho bem agradabile.

videoclipe bem vanguarda pra época
Head above water

Head above water

Blind lead the blind

Blind lead the blind
http://www.youtube.com/watch?v=c5uEXBnmNOg


Algumas músicas podem ser escutadas via Grooveshark!
Uma das mais marcantes é Ipanema Mon Amour, procurem essa.
http://grooveshark.com/search/song?q=pel+mel

WIKIPEDIA:
Pel Mel was an Australian post-punk music band. They formed in Newcastle, Australia in mid 1979 and moved to Sydney, Australia in late 1980. They toured and recorded until 1984

Albums

  • Out Of Reason (1982, GAP, GAPLP2001)
  • Persuasion (1983, GAP, GAPA2002)
  • Live 1980 (Inner City Sound, 1808CD)


sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

tintin

Gostei bastante do Tintin de Steven Spielberg. Mas tem o seguinte: o pessoal tá aproveitando q é tudo digital pra fazer punhetagem com movimentos de câmera impossíveis na vida real. Vamo acabar com essa leseira, que isso praticamente cagou o filme. É tanta volta que a câmera dá, que no fim das contas contas ninguém entende porra nenhuma do que tá acontecendo e ainda sai zonzo. Espero que isso esteja corrrigido no próximo projeto do diretor, Ranxerox em Nova Iorque. (brincadeira, gente) mais legal de Tintin são as interjeições de espanto: "Meu papagaio louro!" . Tem um monte de coisa que funciona muito bem no filme, mas talvez a geração multiplex não consiga captar. E é uma interpretação mais sombria, mais realista, uma adaptação mais próxima do Tintin de verdade teria menos sombras, mais cores chapadas. Me deu vontade de ver Ranxerox nessa técnica (é brinks, viu gente) e deu a certeza de que Spielberg era o cara pra fazer a Liga Extraordinária nos cinemas (o volume I é puro Indiana Jones).

Um pensamento

"Trocar as poltronas giratórias do parlamento por tamboretes.
Vá lá que o cabra não faça nada, mas ficar encostado e rodando já é demais!"
(Jessier Quirino)

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

EXPRESSO 2222

Aumenta que é rock.

Aumenta que isso é baião, é MPB cabeça das melhores.

Gil é o nosso roqueiro doideira e é também nosso ídolo zen. É o nosso violonista quase João Gilbertiano, quase Jorge Benjoriano, é o nosso Chuck Berry, é um artista completo.

Expresso 2222 faz quatro décadas! Nem parece, é tanta vitalidade que ele tem, disco admirável.

É lindo, diria o Caê.

E pra baixar o disco é aqui
http://umquetenha.org/uqt/?p=203





E trechos de Gil na época tocando ao vivo. Ou não ...
Inclusive a genial participação da banda de pífanos de Caruaru!










Expresso 2222

Expresso 2222


Back In Bahia

Back In Bahia


Pipoca Moderna (com a banda de Pífanos de Caruaru)


Pipoca Moderna
http://www.youtube.com/watch?v=LUe5tFW_pbE


Link

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

segundo Paulinho do Amparo...

... o Gênesis foi assim:

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foi deus quem fez isso tudo
aí ele fez um homem e uma mulher de barro
mas eles eram muito parecidos e por isso brigaram

aí deus quis consertar as coisas
pois tudo é tentativa e erro e
fez uma mulher de costela pra ele

o homem e a mulher costela eram felizes
muito felizes mesmo
tão felizes que comeram uma fruta venenosa pra se matarem

"não foi culpa da cobra não"
berrou deus pros dois coitados,
"eu faço tudo do bom e do melhor e voces acharam pouco!"

aí botou os dois pra fora do paraíso:
"vão pagar aluguel na casa do cão!"
e passou uns vinte dias bebendo e se queixando com raiva

fora do paraíso o casal brigou de novo
e deus teve que intervir:
"pois agora vai ter machismo canalha e feminismo paranóico!"

tinha muitos diabos trabalhadores no mundo
e o casal de gente foi trabalhar também e
acabaram morrendo finalmente

"quero ver quem é mais baba ovo rochedo!"
e os garotos trouxeram tudo o que tinham e
deram pra deus

aí deus só pra estragar disse que o
presente de um era bom e o do outro era
uma merda

e foi dormir cheio de cachaça e
orgulho besta de todo poderoso
aí um irmão pegou o outro na covardia e matou

depois ficou dando uma de doido
quando deus perguntou, mas deus já sabia da resposta e
se emputeceu de novo

‎"raça ruim do caralho!"
e mandou um anjo comprar mais skol latão
ligou a televisão e ficou rindo de chapolin colorado

foi mais ou menos nessa época que
a turma começou a se revoltar e planejar se vingar de deus, mas
deus vai destruir tudo antes

com um simples puxar de uma descarga
uma boa noite de sono, quem sabe se apaixonar de novo e
recriar o universo pra agradar alguma deusinha safada dessas...

"quer dizer que voce cria essas merdas na maior das irresponsabilidades, não é, inexistente pateta todo poderoso?"

"bote fé, paulinho trummer... é mais ou menos como tu fica escrevendo tuas merdas no fcbk..."

‎("a bíblia segundo irmão paulinho do mau caminho", igreja do triplo xamanismo contemporâneo da organização do reino das trevas-xxx/ort, 2012.)

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coletado do Facebook de Paulinho do Amparo.

sábado, 21 de janeiro de 2012

Luíza no Canadá obra-prima das propagandas de apê

tos de vocês não curtiram a repercussão da Luíza que estava no Canadá.

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Propagandas de apartamento são a forma mais rasteira de publicidade que existe, empatado com comercial de supermercado e de farmácia. Não se espera nenhuma criatividade vinda daí. E não que o comercial da Luíza seja lá essas coisas, é fraquinho como todos esses comerciais, se não fosse pelo detalhe da Luíza estar no Canadá. Na hora h, o pai da família menciona o Canadá, a Luíza, adicionando uma dimensão afetiva, pois sente falta da filha e TEM que mencionar que ela está viajando. A família está incompleta, o que é comovente. Ele menciona o Canadá, talvez porque TEM que falar nesse intercâmbio chique que a menina tá fazendo, ostentar. Então pelo lado afetivo ou pelo lado sociológico, esse comercial ganha uma vida que nenhum comercial de apartamentos jamais teve.

E comercial de apartamento é um assunto ou não-assunto exclusivamente local. Fica restrito a uma cidade ou a um estado. Palmas pra Luíza que furou esse bloqueio e ficou famosa até no Canadá! Seja pela falta do que fazer, tiração de onda ou sei lá o que, o Brasil adotou como um MEME. Não adianta apresentador de telejornal vir com nhenhenhém; Luíza é sim um bom motivo pra conversar pois todo ser humano tem necessidade de conversar besteira.

De quebra, o assunto inspirou essas e outras musiquetas...


m1 m1


m2 m2

quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

Minha Sereia

Partindo pra Alagoas, embora não pra Pajuçara nem Maceió, deixo ocês com essa música.

....um ótimo reveião pra todos!

http://youtu.be/zVu0vleEQ-Q

2011

Esse ano não vou nem fazer muita retrospectiva, porque nem prestei tanta atenção assim, ou melhor: meu coração estava menos aberto.

Foi um ano infernal pra mim, sob alguns aspectos emocionais. De modo que meu comentário sobre 2011 é resumido pela fala de Adam Warlock em seus momentos finais.















"Pois neste período, as coisas que me importavam e que eu conquistei desmoronaram. Todos aqueles que eu amava agora jazem mortos. Minha vida foi um fracasso. Eu agradeço este fim".

Roteiro e arte de Jim Starlin, brilhante.

















CALMA gente meu ano nao foi tão ruim assim. Conquistei muitas coisas, fiz alguns passos importantes, e creio que 2012 vai ser uma época de colher frutos de alguns trabalhos q fiz.

Mas assim como Adam Warlock, eu agradeço este fim, pois significa um recomeço. E não, o mundo não vai acabar ano que vem, seus otários preguiçosos. Vocês ainda vão ter que viver!

Que venha 2012, com todas suas realizações alegrias e desafios!

PS: essas 3 imagens são de uma única e fatídica página da revista Warlock #11 (anos 70, o ano eu não sei). Eu "fatiei" pra que o blogger não diminuísse demais o tamanho delas, mas mesmo assim, clique pra ampliar.

Bootleg ´11

Ùltimas postagens do ano, tem algo que eu não botei aqui ainda por puro vacilo: a coletânea Bootleg ´11 do blog Outros Críticos. Eu participei com a arte da capa e uma faixa chamada "Assombrações" que a galera do blog curtiu a ponto de escolher como faixa de abertura. E estou em ótimas companhias. Da coleta participam: Graveola, Novanguarda, Jean Nicholas, HVB, Ana Ghandra, Trio Eterno, Flávia Muniz, Victor Toscano, Diaton, entre outros. São sempre gravações obscuras de autores do cenário independente. Já é, pelos meus cálculos, a 3a vez q eu participo. Todo ano tem: se ligue pra chegar junto na próxima. Saca lá no link.

http://outroscriticos.blogspot.com/2011/12/lancamento-bootleg11-coletanea.html

e pode ouvir por aqui tb

Coletânea Bootleg'11 by blogoutroscriticos

Boa fruição (freeeeeeeeescow!!!!!!!!!!)

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

recife tecno brega

Na terça, fui a festa do Morro da Conceição, festa muito tradicional aqui no Recife. A gente parou num barzinho q o DJ tava botando grandes sucessos do tecno brega local. Tá rolando esse lance aí todo de "Novinha", palavra da moda, e eu ainda não tinha prestado muita atenção... Deve ter tocado umas 15 músicas com essa palavra! Cheias de segundas intenções. Tem algumas até envolventes, mas repetitivas demais. É curioso que a gente tenha chegado nesse ponto musical, retrocesso, porque todas essas músicas são de um primarismo absurdo.

Muitas das coisas que eu ouço e aprecio também são primitivas (rock pode ser muito primitivo), mas não sei, falta um elemento nessa parada, é tudo óbvio demais. Falta Liberdade, Individualidade (como também acontece nas rodas de pagode de hoje em dia: falta cuíca). Falta Destruição e Reconstrução. Falta melodia. E eu até curti uma ou outra, mas quando penso que o pessoal praticamente só ouve isso, cheira a lavagem cerebral. Existe uma certa louvação intelectual sobre esse circuito brega, mas acho que é coisa de quem não mora no morro e não aguentaria viver essa realidade. È legal você que mora em bairro classe média ouvir isso numa festa às vezes, mas você não aguentaria viver o tempo todo escutando isso. Você consome a música fora do contexto social suburbano, acha engraçado, faz um texto louvando a hipotética independência do circuito tecno-brega. É interessante mesmo o fato de se estar produzindo música local e gerando um público próprio. Mas acho que alguns textos romantizam isso. E aí o intelectual depois vai ouvir seu Chico Buarque. No morro, é diferente, você escutaria isso o tempo todo.

O ponto de vista masculino predomina, mas cheguei a ouvir música feita pelas mulheres, também revidando na mesma moeda. Talvez nesse universo não façam sentido os conceitos de machismo ou feminismo. As coisas são simplesmente "Ploc Ploc é o barulho da Tchequinha batendo no meu chicote", sem perigo de romantismo, sem reflexão, sem política. É como se o mundo fosse só esse sexo pelo sexo, tendo como alternativa a Igreja Universal. Parece que o sexo é uma coisa que está fora do mundo e aliena, é mecânica pura. De todo jeito, geralmente quem faz as músicas são uns caras adolescentes, que do dia pra noite viram estrelas nesse circuito brega dos subúrbios e além. Isso relativiza um pouco a questão dessa busca por ninfetas, mas ela ainda existe. Acho que esse tipo de letra sugere um desajuste social entre a mulher e o homem, causado por essa cultura esquizofrênica. Equilibra esse Yin-Yang, Recife.

http://youtu.be/qS4CmLzAN7w

m m

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Yanomami


http://www.cleber.com.br/yanomamis/grandes/a24.jpg

RC canta RC


Recomendadíssimo dos novos sons: Rafael Castro mandando ver em cima das composições do Roberto Carlos.

RC CANTA RC!

O cara vai além das obviedades e transforma todos os arranjos.

http://traquitana.org/?page_id=7&album=103



sonzim de festa!

http://www.youtube.com/watch?v=gEmJ-VWPDM4&ob=av2e

The VAPORS : "Turning Japanese"

The VAPORS : "Turning Japanese"

Jesus não amacia pra ninguém.

Enquanto caminhavam pela estrada, disse-lhe alguém : "Seguir-te-ei para onde fores, Senhor". Respondeu-lhe Jesus: - As raposas têm tocas e as aves do céu tem ninhos, mas o Filho do Homem não tem onde encostar a cabeça. Disse a outro: "Segue-me" e respondeu este: "Senhor, permita-me primeiro ir sepultar meu pai". Mas Jesus disse a ele: - Deixa os mortos sepultarem seus mortos; tu vais anunciar o reino de Deus!"


Evangelho de Lucas, Capítulo 9

o som mais maroto de todos os tempos: PEREZ PRADO

Mambo No. 5
http://www.youtube.com/watch?v=7CADAUKiieQ&feature=related



Claudia!
http://www.youtube.com/watch?v=TS0-5WyXClc&feature=related


My Roberta
http://www.youtube.com/watch?v=I_V42Pon6Rg


Dámaso Pérez Prado (December 11, 1916 – September 14, 1989) was aCuban bandleader, musician (singer, organist and pianist), and composer. He is often referred to as the 'King of the Mambo'.[1]

Prado is the composer of such famous pieces as "Mambo No. 5" (later a UK chart-topper for both Lou Bega in 1999 and animated character Bob the Builder in 2001) and "Mambo No. 8". At the height of the mambo movement, in 1955, Prado hit the American charts at number one with a cha-cha version of "Cherry Pink and Apple Blossom White" (composed by French composer Louiguy). This arrangement, featuring trumpeter Billy Regis, held the spot for 10 consecutive weeks. The song also went to number one in the UK[2] and in Germany.[3] Prado had first covered this title for the movie Underwater! in 1954, where Jane Russell can be seen dancing to "Cherry Pink". In 1958 one of Prado's own compositions, "Patricia", became the last record to ascend to #1 on the Jockeys and Top 100 charts, both of which gave way the following week to the then newly-introduced Billboard Hot 100 chart. The song also went to number one in Germany, and in the UK it reached number eight.[4]

Depoimento de Shayene Metri sobre o fim da ocupação da USP.

Depoimento de Shayene Metri sobre o fim da ocupação da USP. Eu não tenho nada a ver com isso e passei os últimos dias alienado, sem nem me informar direito. Mas repasso. È um outro ponto de vista, é informação. Postado em 8 de novembro no Facebook dela.



Cheguei na USP às 3h da manhã, com um amigo da sala. Ia começar o nosso 'plantão' do Jornal do Campus. Outros dois amigos já estavam lá. A ideia era passar a madrugada lá na reitoria, ou pelas redondezas. 1) para entender melhor a ocupação, conhecer e poder escrever melhor sobre isso tudo. 2) para estarmos lá caso a PM realmente aparecesse para dar um fim à ocupação.

Conversa vai, conversa vem. O tempo da madrugava passava enquanto ficávamos lá fora, na frente da reitoria, conversando com alunos da ocupação. Alguns com posicionamentos bem definidos (ou inflexíveis), outros duvidando até das próprias atitudes. A questão é: os alunos estavam lá e queriam chamar atenção para a causa (ou as causas, ou nenhuma causa)...e, por enquanto, era só. Não havia nada quebrado, depredado ou destruído dentro da tão requisitada reitoria (a única marca deles eram as pixações). A ocupação era organizada, eles estavam divididos em vários núcleos e tinham medidas pra preservar o ambiente. Aliás, nada de Molotov.

Mais conversa foi jogada fora, a fogueira que aquecia se apagou várias vezes e eu levantei a pergunta pra alguns deles: e se a PM realmente aparecesse lá logo mais? Seria um tiro no pé dela? Ela sairia como herói? Os poucos que conversavam comigo (eram uns 4, além dos amigos da minha sala) ficaram divididos. "Do jeito que a mídia está passando as coisas, eles vão sair como heróis de novo", disse um. "Se ele vierem vai ter confronto e isso já vai ser um tiro no pé deles", disse outra. Mas, numa coisa eles concordavam: poucos acreditavam que a PM realmente ia aparecer.

Eu achava que a PM ia aparecer e muito provavelmente isso que me fez ficar acordada lá. Não demorou muito e, pronto, muita coisa apareceu. A partir daí, meu relato pode ficar confuso, acho que ainda não vou conseguir organizar tudo que eu vi hoje, 08 de novembro.

Muitos PMs chegaram, saindo de carros, motos, ônibus, caminhões. Apareceram helicópteros e cavalaria. Nem eu e, acredito, nem a maior parte dos presentes já tinham visto tanto policial em ação. Estávamos em 5 pessoas na frente da reitoria. Dois estudantes que faziam parte da ocupação, eu e mais 2 amigos da minha sala, que também estavam lá por causa do JC. Assim que a PM chegou, tudo foi muito rápido:

os alunos da ocupação que estavam com a gente sugeriram: "Corram!", enquanto voltavam para dentro da reitoria. Os dois amigos que estavam comigo correram para longe da Reitoria, onde a imprensa ainda estava se posicionando para o show. Eu, sabe-se lá por qual motivo, joguei a minha bolsa para um dos meninos da minha sala e voltei correndo para frente da reitoria, no meio dos policiais que avançavam para o Portão principal [e único] da ocupação.

Tentei tirar fotos e gravar vídeos de uma PM que estava sendo violenta com o nada, para nada. Os policiais quebravam as cadeiras no carrinho, faziam questão do barulho, da demonstração da força. Os crafts com avisos dos estudantes, frases e poemas eram rasgados, uma éspecie de símbolo. Enquanto tudo isso acontecia, parte da PM impedia a imprensa de chegar perto da área, impedindo que os repórteres vissem tudo isso. Voltando para confusão onde eu tinha me enfiado: os PMs arrombaram a porta principal, entraram (um grupo de mais ou menos 30, eu acho) e, logo em seguida, fecharam o portão. Trancaram-se dentro da reitoria com os alunos. Coisa boa não era.

Depois disso, o outro grupo de PMs,que impedia a mídia de se aproximar dessas cenas que eu contei , foi abrindo espaço. Quer dizer, não só abrindo espaço, mas também começando (ou fortalecendo) uma boa camaradagem para os repórteres que lá estavam atrás de cenas fortes e certezas.

"Me sigam para cá que vai acontecer um negócio bom pra filmar ali agora", disse um dos militares para a enxurrada de "jornalistas".

A cena era um terceiro grupo de PMs, arrombando um segunda porta da reitoria, sob a desculpa de que queria entrar. O repórter da Globo me perguntou (fui pra perto deles depois da confusão em que me meti com os policiais no início): "os PMs já entraram, não? Por que eles tão tentando por aqui também?". Respondi: "sim, já entraram. E provavelmente estão fazendo essa cena pra vocês terem algum espetáculo pra filmar"

A palhaçada organizada pelos policiais e alimentada pelos repórteres que lá estavam continuou por algumas horas. A imprensa ia contornando a reitoria, na esperança de alguma cena forte. Enquanto isso, PM e alunos estavam juntos, dentro da Reitoria, sem ninguém de fora poder ver ou ouvir o que se passava por lá. Quem tentasse entrar ou enxergar algo que se passava lá na Reitoria, dava de cara com os escudos da tropa de choque, até o fim.

Enquanto amanhecia, universitários a favor da ocupação, ou contra a PM ou simplesmente contra toda a violência que estava escancarada iam chegando. Os alunos pediam para entrar na reitoria. Eu pedia para entrar na reitoria. Tudo que todo mundo queria era saber o que realmente estava acontecendo lá dentro. A PM não levava os estudantes da ocupação para fora e o pedido de todo mundo era "queremos algo às claras". Por que ninguém pode entrar? Por que ninguém pode sair?

Enquanto os alunos que estavam do lado de fora clamavam para entrar, ouvi de um grupo de repórteres (entre eles, SBT): "Não vamos filmar essas baboseiras dos maconheiros não! O que eles pedem não merece aparecer". Entre risadas, pra não perder o bom humor. Além dos repórteres que já haviam decidido o que era verdade ou não, noticiável ou não, tinham pessoas misturadas a eles, gritando contra os estudantes, xingando. Eu mesma ouvi muitas e boas como"maconheirazinha", "raça de merda" e "marginal" .

Os estudantes que enfrentavam de verdade os policiais que faziam a 'corrente' em torno da Reitoria eram levados para dentro. Em questões de segundos, um estudante sumia da minha frente e era levado pra dentro do cerco. Para sabe-se lá o que.

Lá pras 7h30, depois de muito choro, puxões e algumas escudadas na cara, comecei a ver que os PMs estavam levando os estudantes da ocupação para dentro dos ônibus. Uma menina foi levada de maneira truculenta, essa foi a única coisa que meu 1,60m de altura conseguiu ver por trás de uma corrente da tropa de choque. Enquanto eu tentava entrar no cerco, para entender a história, a grande mídia já estava lá dentro. Fui conversar com um militar, explicar da JC. Ouvi em troca "ai, é um jornal da usp. De estudantes, não pode. Complica".

Os ônibus com os alunos presos saíram da USP. Uma quantidade imensa de outros alunos gritavam com a PM. Eu e os dois amigos da minha sala (aqueles da madrugada) pegamos o carro e fomos para a DP.

Na DP, o sistema era o mesmo e meu cansaço e raiva só estavam maiores. Enjoo e dor de cabeça, era o meu corpo reagindo a tudo que eu vi pela manhã. Alunos saiam de 5 em 5 do ônibus para dentro da DP. Jornalistas amontoados. Familiares chegando. Alunos presos no ônibus, sem água, sem banheiro, sem comida, mas com calor. Pelo menos por umas 3h foi assim.

Enquanto a ficha caia e eu revisualizava todo o horror da reintegração de posse, outras pessoas da minha sala mandavam mensagens para gente, de como a grande imprensa estava cobrindo o caso. Um ato pacífico, né Globo? Não foi bem isso o que eu vi, nem o que o JC viu, nem o que centenas de estudantes presenciaram.

Enfim, sou contra a ocupação. Sempre tive várias críticas ao Movimento Estudantil desde que entrei na USP. Nunca aceitei a partidarização do ME. Me decepciono com a falta de propostas efetivas e com as discussões ultrapassadas da maioria das assembléias. Mas, nada, nada mesmo, justifica o que ocorreu hoje. Nada pode ser explicação pra violência gratuita, pro abuso do poder e, principalmente, pela desumanização da PM.

Não costumo me envolver com discussões do ME, divulgar textos ou participar ativamente de algo político do meio universitário. Mas, como poucos realmente sabem o que aconteceu hoje (e eu acredito que muita coisa vai ser distorcida a partir de agora, por todos os lados), achei que valeria a pena escrever esse texto. Taí o que eu vi.