quarta-feira, 15 de junho de 2011

retrospectiva de meio do ano.

... uma retrospectiva das novidades do ano (ainda estamos em junho), que eu me lembro:

Tune-Yards / whokill (2011)
melhor disco do ano até agora? E um vídeo impressionante também!



White Denim / D (2011)
Novo disco é muito bom. Baixei e recomendo.





PNEU _ Higway to health
Melhor capa, nome de banda e nome de disco.
O som é bom, mas inda não ouvi o bastante pra afirmar mais. Pauleira.

Aliás, capas são sempre pra mim um dos grandes lances. Capas estranhas e originais muitas vezes tem sons bons, estranhos e originais. Quando eu abro um blog com discos pra baixar, a capa geralmente é meu guia.









Muito bom também o HELADO NEGRO ! Recomendadíssimus sons.
HN

Helado Negro - Dahum from Asthmatic Kitty on Vimeo.

HN


Musica foda e clipe bonitão esse do BATTLES, "Ice Cream", ainda vou baixar esse disco.
B

BATTLES - Ice Cream from CANADA on Vimeo.

B
2011, ano do sorvete na música pop!

No mais aguardo o lançamento do novo do Stephen Malkmus, produzido por Beck. No entanto esta nova música "Senator" não impressiona. O que é um mau sinal, pois acho que esse disco só vai ser bom se marcar uma guinada.... (e eu digo isso sendo o maior fã do cara), mas esperemos o disco vazar pra confirmar tal afirmativa.

Estou feliz de saber que vai rolar disco do Rapture. Discos do Panda Bear e Black Lips até agora não causam grande impressão. Enquanto isso baixo Meredith Monk.... * RETIRO O QUE DISSE, o BLACK LIPS tá ducarajos (17 jun 20111) !

BL BL

A galera brasuca anda lançando coisas, sim, é verdade....
não tenho acompanhado totalmente, mas no meu círculo de amizades, inclusive eu mesmo e meus amigos na trilha sonora do filme O Ano Passado Em Itamaracá, fora isso o Canivetes lançou disco "Boa noite, Boemia" essa semana, mas ainda não ouvi. O Luiz Pessoa - que participou da trilha de Itamaracá botou na roda o "De olho no tempo" que tem algumas faixas bastante boas. No mais estou completamente defasado, mas aparentemente nenhum artista brasileiro que eu goste com força lançou disco esse ano ainda. Na dúvida tô baixando coisas aí pra ver se garimpo alguma pérola... Depois escreverei mais sobre esse lado nacional da força! * Lembrei depois que o Feiticeiro Julião também foi desse ano.Tô escutando também Ordinária Hit. (19jun2011)

Geraldo Pereira

Se existem no Brasil alguns compositores que nunca perderam a atualidade,
dentre eles, sem dúvida, está o sambista Geraldo Pereira (1919-1955) !

Eu fui buscar uma mulher na roça / que não gostasse de samba / e não gostasse de troça. / duas semanas depois que aqui chegou / mandou esticar os cabelos / e as unhas dos pés pintou / foi dançar na gafieira / e até hoje não voltou. >

Mesmo que a visão pareça levemente antiquada no tratamento da questão feminina (especialmente para as feministas), o que ele falava era tão verdadeiro, tão bem feito e tão honesto, um retrato do que acontecia, e ainda acontece na sociedade brasileira!

Essa introduçãozinha capenga é só pra reforçar :

http://sambazul.blogspot.com/2010/01/geraldo-pereira-em-78-rotacoes.html

Tem que ser conhecido. É um gênio! Ele é o melhor. Vá no blog, baixe, ouça!


domingo, 12 de junho de 2011

covered


Fascinante esse blog COVERED, com capas originais de gibis e suas recriações por outros artistas. Passei várias horas olhando, salvando as que eu mais gostava. Saca só esse exemplo do Tintin clássico de Hergé e sua recriação por Philippe Debongnie.

Nem sempre as recriações são realmente boas ou criativas. De todo jeito, me inspirou: tô pensando em também fazer minha interpretação de alguma das minhas capas preferidas.

Alguns destaques do Covered: Omega Men, Calvin & Haroldo, Batman 1, etc.

O engraçado é que alguns trabalhos não aproveitados pelo autor do blog fizeram outras pessoas a criar o blog REJECTED BY COVERED! com a mesma proposta. Também tem coisas massa, como esas versão do Genesis de Crumb!

Ah. e nessa vibe tem o REPANELED, em que artistas recriam um quadrinho de uma HQ específica.









sexta-feira, 10 de junho de 2011

Jeff Jones


Aquele abraço na alma d@ ilustrador@ e quadrinist@ Jeff Jones, que faleceu há alguns dias. Da geração brilhantemente art noveau dos anos 60/70 nos Eua, que nos deus artistas como Bernie Wrightson, Mike Kaluta, Richard Corben, P. Craig Russel, entre outros. Acho que a arte pintada del@ foi bastante influente pra geração seguinte de pintores de quadrinhos dos anos 80, em especial para Kent Williams.

Acabo de corrigir esse texto pois vi na Wikipedia que Jeff Jones nasceu homem, mas fez mudança de sexo! Tô passado. (born Jeffrey Durwood Jones, January 10, 1944 – May 19, 2011. World renowned illustration artist Frank Frazetta called Jones "the greatest living painter".)

O interessante é que antes de virar mulher, Jones foi casado com a roteirista Louise Simonson, que na época era Louise Jones. Depois foi que ela casou com Walter Simonson e chegou ao novo sobrenome.

O que há pra gente pensar sobre a arte de gente como Jeff Jones ou Frank Frazetta? Dá pra pensar que já existia arte pintada nos quadrinhos há algum tempo, embora fosse quase sempre usada para ilustrar histórias curtas de fantasia e ficção científica, em revistas como Heavy Metal. Nos anos 80, que marcou o auge da arte pintada no mercado editorial, essa técnica foi usada com outras intenções, outros estilos, outros tipos de roteiro, mais próximo do mercado dos comics de super-heróis. Depois vou tentar pesquisar mais sobre isso.

segunda-feira, 6 de junho de 2011

I´m SICK of parking cars

Tem alguns discos que pouca gente conhece (até entre os alternativos!) mas são sucessos eternos no meu Hit Parade. Um deles é o primeirão do The Auteurs, intitulado New Wave.

As letras de Luke Haines são bastante elípticas, nunca sei ao certo sobre o que ele está cantando. Só sei que a música é tão elegante, melodiosa, que isso termina sendo só um detalhe a se desvendar depois...

p

p

Never saw
your driver's eyes
Or me on parking street
We were planning
your demise
Your chauffeur's tired
But you're still on heat
Downtown,
you're burning down
I'm sick of parking cars...
There are only -
two people here
Who are worthy
Of your pool
and your palace
So stand down now
Stand down
You're standing down...
Never thought
I'd see the day
When your pale face
turned grey
Got no guts, got no fame
Your epitaph
Sorely missed
Your unfaithful slave
Home again
Housesitting again
Rifle through
Your possessions
and stuff
Things that you
Are ashamed of
Home again,
housesitting again
Looking through photos
At the back of your drawer
The way that you looked
When you were small
You're safe,
there's no prowler
No creeper in your lane
It's better than drugs,
it's cool
To be in your home again
Home again,
housesitting again
It's just a little bit far

>From the main crowd
Reading your poems
When you're not around
Home again,
housesitting again
Hospital letter,
a clinic on hold
A test that you took
Awaiting results

sexta-feira, 27 de maio de 2011

Trilha Sonora _ Itamaracá !














Entreguei ao universo a trilha sonora de O ANO PASSADO EM ITAMARACÁ ! Estrelando os seguintes artistas : Aduhere Karembe, D Mingus, German Ra, Hugo Coutinho, Los Panchos Hoasqueros, Sabiá Sensível.

Pode ser escutada em streaming no SoundCloud, ou então faz o download via 4shared.

Apesar de mais longa que o filme, a trilha é relativamente curta , 30 minutinhos, o que chega a ser espantoso pra mim que trabalhei por tanto tempo nela! É música concentrada. E muito variada, pois eu consigo identificar elementos de rock andino psicodélico, africanismos, ambient music, samba rock, salsa, a capella, música romântica, remixes loucos, progressivo. Pensada como um disco com começo, meio e fim, ajustado pra proporcionar uma experiência de imersão, de concatenação das faixas.

É basicamente o caos! No meio desse caos o mundo vai nascer. Ou pelo menos eu, que estou livre pra agora terminar meu disco solo, entre outras coisas. Espero que escutem e gostem.



Play -- O ano passado em Itamaraca _ Original Soundtrack by GERMANRA --- it





quinta-feira, 19 de maio de 2011

Leituras do momento: Jason, Peter Pan

Leituras do momento:

PETER PAN.

Na edição barata e bem cuidada da L&PM. O livro de James Mathew Barrie, escocês, é daqueles que transcende o rótulo "infantil", porque é um dos textos mais inteligentes que eu tenho notícia, recompensador, cheio de imaginação, bem humorado. Estou ainda no começo. Mas já sou fã.

E o mais legal é que as aventuras dele tem uma linguagem profundamente simbólica, e tem uma observação profunda do ser humano, e tem uma lógica própria das histórias inventadas pra crianças. Embora seja às vezes sangrento, uma aventura realmente perigosa. Ai vai um trechinho:

"Peter pensava em tudo.
- Slightly- ordenou - vá buscar um médico.
- Afirmativo - respondeu Slightly no ato, e sumiu de vista, coçando a cabeça; mas sabia que Peter devia ser obedecido e retornou pouco depois, usando o chapéu de John e exibindo uma expressão solene.
- Com licença - disse Peter, aproximando-se dele-, o senhor é médico?
A diferença entre Peter e os outros meninos, em momentos como aquele, era que eles sabiam que era faz de conta, e para ele o faz de conta e a verdade eram exatamente a mesma coisa. Isso às vezes lhes causava problemas, como nas ocasiões em que tinham de fazer de conta que já tinham jantado."

WHAT I DID, de Jason.

È uma coletânea em capa dura com três trabalhos do cartunista: "Hey, Wait", "Shhhh" e "The Iron Wagon". Pra quem não conhece, embora inda não tenha sido publicado no Brasil, Jason é um cartunista genial, norueguês, publicado pela Fantagraphics lá fora, conhecido pelo estilo minimalista dos seus desenhos, sempre com bichos antropomórficos. Só lendo pra ver. Ele é muito bom. Ainda não terminei "The Iron Wagon", que é a história mais diferente do volume por sem em cor vermelha e ter muitas palavras (adaptação de um romance norueguês). "Hey, Wait" e "Shhhhh" são histórias minimalistas, falando da vida. Da vida de seus personagens e das nossas. Algo bem universal, mesmo nos seus desdobramentos surreais, sabemos que ele está falando de algo muito cotidiano, muito humano, apesar das cabeças de pássaro, coelho ou cachorro dos personagens.

Aí eu pergunto: como é que esse cara ainda não foi publicado no Brasil? È muito bom, geralmente em preto e branco ou uma cor só, e algumas das histórias nem precisariam de tradutor. Enquanto isso, se publicam coisas altamente mais ou menos.... Não entendo mesmo. Cadê o bom gosto de vocês, galera das editoras?

Jason tem outro volume-coletânea chamado ALMOST SILENT, também em capa dura e com quatro trabalhos diferentes. Desde já na minha lista pra comprar quando tiver grana!

Recomendo.

Não subestime os SEIOS DE SUSAN SARANDON





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...uma vez eu subestimei e me dei mal!

segunda-feira, 9 de maio de 2011

poema do dia 9 de maio de 2011

Galhos ondulantes agarraram minha cabeça ... Só presta assim... Papai Noel não existe.

quarta-feira, 4 de maio de 2011

Nothing

Facebook, nothing; Email, nothing; Twitter and Orkut nothing; Youtube for a change a little more nothing; Messenger and Flickr nothing.

Essa musica é eterna e pode se aplicar a qualquer coisa.

O Fugs era tipo uma banda beatnik. Doidões antes do rock endoidar.

FUGS



The Fugs are a band formed in New York in late 1964 by poets Ed Sanders and Tuli Kupferberg, with Ken Weaver on drums. Soon afterward, they were joined by Peter Stampfel and Steve Weber of the Holy Modal Rounders.
The band was named by Kupferberg, from a euphemism for "fuck" used in Norman Mailer's novel, The Naked and the Dead.


O curioso é que eu conheci essa música na versão do Yo La Tengo. Aliás, eu peguei a música através do Soulseek e o arquivo veio sem o nome da banda. Eu fiquei meses achando aquilo maravilhoso e que nunca ia saber quem tinha gravado. Claro, um dia a ficha caiu e eu botei no Google uma parte da letra. Aí cheguei à versão original do FUGs.

(pena que não achei a versão do Yo La Tengo no Youtube, com um tecladinho soturno. é muito boa!)

O paradoxo do Mamonas Assassinas

"Logo agora que você estava quase entendendo o que eu estou falando, A canção está acabando e o Creuzebeck está abaixando ali o volume"

http://letras.terra.com.br/mamonas-assassinas/24152/

quarta-feira, 27 de abril de 2011

Unsolved Mysteries

"their blood in the dark
will atract the sharks
who are not violent
we all have hungry bellies. "
Animal Collective.
http://www.youtube.com/watch?v=mmgq_1z08LU&feature=fvst

terça-feira, 26 de abril de 2011

Wolvie clásssico


(clique pra ver grande)

Esse clássico ultra violento eu li aos 7 anos. Não me causou nenhum trauma. A violência chega a ser agradável aos olhos. É uma obra- prima de Chris Claremont e (principalmente) Barry Windsor-Smith. Uncanny X-men 205, maio de 1985. Encontro com Lady Letal e Chispinha do Quarteto Futuro ( Powerpack ).
Publicado no Brasil em Heróis da TV 100, e também em X-men 29 (formatinho). É a primeira vez que sai em formato americano no Brasil.
Está de volta numa iniciativa muito boa da Panini: publicar HQs clássicas da Marvel em formato acessível, a R$ 2.

Recomendo.








http://osilenciodoscarneiros.blogspot.com/2011/04/linha-aventura-e-o-futuro-dos.html


http://comics.ign.com/articles/971/971805p1.html

clipe Sonic inédito Youth

Um clipe do Sonic Youth da época do Dirty que eu não conhecia !
Esse clipe não deve ter passado na MTV Brasil, porque eu conhecia todos os clipes, era viciado...

Uma possível explicação pra isso: o clipe foi feito por fã. No lançamento do "Dirty", o Sonic Youth pediu que enviassem vídeos caseiros com as músicas... A montagem é bem impactante nas horas em que a música pega fogo, inclusive usando fotogramas de outros clipes deles.

Por falta de comunicação com o autor, o vídeo nem foi incluído no DVD Corporate Ghost, que coleta os clipes dessa era. Pena. É bem legal.

http://www.youtube.com/watch?v=5WtWqEAkA1k



SYSY

"When SY released Dirty LP,back in 1992, they asked their fans to send them homemade videos for songs.This is one that videos.The word is that when putting together Corporate Ghost,SY couldn't get in touch with author and ask him/her for coryright permission so video never got to be on DVD."

segunda-feira, 18 de abril de 2011

Essa GLOBO NORDESTE é infame

Acabo de voltar do Abril pro Rock e foi muito bom, com Feiticeiro Julião, Eddie, Tulipa Ruiz, Karina Buhr, Chicha Libre, Skatalites, Arnaldo Antunes, etc.


Fico sem dormir, o que ganho de presente ? Ver a cobertura do Abril pro Rock na Globo. Só a Globo Nordeste mesmo... o Abril ficou parecendo uma festa de quintal de casa, com planos fechados e amadores. O repórter (não vi o nome dele) mostra Tulipa fazendo a performance de se enrolar com o fio do microfone, aí TEM de explicar: "é um show de rock então pode tudo".... As entrevistas pareciam ter feitas numa festa da melhor idade. Só vendo a matéria pra sentiro grau de subestimação do espectador e de desarticulação da reportagem com o assunto. Mas como se explica o jornalismo da Globo Nordeste? Esse caso, que me interessa em especial por eu fazer arte, é só um pretexto pra eu falar isso: como é que a gente aguenta todos esses anos se ver pelos olhos da Globo? Ser representado por isso? Porque, por mais que a maioria de nós talvez evite, em casa sempre tem o pai e a mãe que assistem. Como é que essas pessoas tem uma mega-estrutura pra fazer um jornalismo merda ? Como a maioria da população aceita ver o mundo por este viés? A Globo Nordeste é o extremo da mobralidade, da cafonice, da subestimação... É o dinheiro e a estrutura que não tem sensibilidade, não tem estética, não tem política, não tem moral, não tem naturalidade. Eles não conseguem fazer comunicação. São incompetentes num nível muito absoluto. A população pernambucana não é idiota nem otária, e pode produzir coisas muito melhores. Eu lembro de ter visto uma reportagem antiga, dos anos 80, em que o tema era o artista Paulo Bruscky, que incorporava de uma maneira inteligente algumas performances do artista... se falava sobre arte contemporânea sem tratar o espectador como um imbecil completo. O triste é que o meio que poderia servir para despertar, educar, trazer algo de bom, serve apenas a reproduzir de forma amadora, ultrapassada, um jornalismo desvitalizado, desinformado, descontextualizado. E isso porque eu estou falando mais do ponto de vista estético, sem falar nas tendências políticas bizarras dessa galera, no jeito como criminalizam os movimentos sociais. A Globo Nordeste é jeca e quer que o mundo fique jeca... mas vamos tentar evitar.

domingo, 3 de abril de 2011

Serge Gainsbourg 2 de abril

Ontem foi o aniversário de Serge Gainsbourg.


Curioso: de uns tempos pra cá, eu tenho procurado me isolar mais, na minha casa, trancar meu quarto. Aí lembrei da biografia dele, Um Punhado de Gitanes. Ele sentia a necessidade de ter um lugar totalmente com a cara dele, em que ninguém mexesse em nada, mesmo que a arrumação parecesse estranha... E fui procurar a data de aniversário dele.

Um dia depois do meu : 2 de abril.

Essa música Je t´aime (moi non plus) tem uma história curiosa, a partir do título
EU TE AMO (EU TAMBÉM NÃO)

Pelo que dizem, Serge teve a idéia a partir de uma frase de Salvador Dali.
"Picasso é espanhol, eu também. Picasso é um gênio, eu também. Picasso é comunista, eu também não."

E há duas versões memoráveis da música, uma em dueto com Brigitte Bardot, que foi vetada (se bem me lembro, temiam que abalasse a carreira de Bardot) e depois foi lançada em dueto com Jane Birkin. Uma canção incrivelmente safada para época em que foi feita!


jane
jane


quarta-feira, 30 de março de 2011

links lokos via twitter

mixtape do festival ATP selecionada pelo Animal Collective. http://soundcloud.com/alltomorrowsparties/atp-animal-collective-mix


a média de vida de um logotipo de Saul Bass é de 34 anos: http://ow.ly/4ikom via @designrelated via raiza bruscky

tumblr maneiro do dia http://ideiasdefilmes.tumblr.com/ (via @renata_ze)

Ótimo blog sobre cinema africano com links p/ baixar! Vai! http://cine-africa.blogspot.com/

novidads

nova do Fleet Foxes.
novo disco vem aí...
http://stereogum.com/670101/fleet-foxes-bedouin-dress/mp3s/
http://stereogum.com/672322/fleet-foxes-grown-ocean-video/video/

clipe muito massa da tUne-yArds
http://stereogum.com/667941/tune-yards-bizness-video/video/

pra quem curte Beirut (eu acho muito mais ou menos)
ele fazendo cover de Caetano Veloso
http://stereogum.com/671971/beirut-o-leaozinho/mp3s/

sábado, 26 de março de 2011

Recentemente fiz (ainda estamos dando retoques) junto com Raul Souza uma HQ falando sobre a Odisséia. Isso me lembrou deste poema... de Fernando Pessoa.


ULISSES

O mytho é o nada que é tudo.
O mesmo sol que abre os céus
É um mytho brilhante e mudo —-
O corpo morto de Deus,
Vivo e desnudo.

Este, que aqui aportou,
Foi por não ser existindo.
Sem existir nos bastou.
Por não ter vindo foi vindo
E nos criou.

Assim a lenda se escorre
A entrar na realidade,
E a fecundá-la decorre.
Em baixo, a vida, metade
De nada, morre.


análise do poema "ulisses"

http://www.umfernandopessoa.com/an%C3%A1lises/poema-ulisses.htm

O poema "Ulisses" enquadra-se na primeira parte de Mensagem: Brasão. A primeira parte, por sua vez, está encimada pela elocução latina Bellum sine bello (guerra sem guerrear). Na primeira parte de Mensagem, Fernando Pessoa expressa a nobreza da intenção.

Ulisses (em Grego Odisseu), foi uma das figuras míticas que chegaram ao nosso tempo através dos dois grandes relatos de Homero: a Iliada e a Odisseia. A tradição posterior coloca Ulisses como fundador de Lisboa. A raiz etimológica da palavra Lisboa vem da palavra Ulissipo – ou cidade de Ulisses. Claro que Pessoa identifica aqui, como tanto lhe agravada, a raiz do mito que conhece depois a realidade, ou seja, um mito que apesar de ser nada é tudo. “O nada que é tudo” é uma expressão que acompanha Pessoa na sua vida, porque ele próprio a determinado ponto deseja ser um mitologista, um criador de mitos, porque via nisso uma alta missão.

A inclusão logo na primeira estrofe de uma referência cristã misturada com uma referência pagã não é inocente. Como cristão gnóstico, Pessoa considerava Deus mais como símbolo do que como objecto de fé, e um símbolo útil, um símbolo utilizável, se quisermos, para reformar a sociedade dos seus tempos. Para os gnósticos, Cristo é o logos, o intermediário racional entre o Deus e o homem, sobretudo símbolo e mensageiro. Por isso se compreende que Pessoa consiga misturar Ulisses com referência a um Deus cristão. Para ele, ambos são símbolo de algo maior, símbolos de um destino a cumprir, que se seguiu à fundação de Lisboa.

A ambiguidade da segunda estrofe, que fala de “este, que aqui aportou” (Ulisses), “foi por não ser existindo” (porque o mito existe não existindo), “não existindo nos bastou” (porque o mito basta enquanto mito para criar algo mais do ele próprio), “por não ter vindo foi vindo. E nos criou” (mesmo sabendo que ele poderá não ter existido, ele existe não existindo e isso basta para criar, para basear a fundação da cidade).

Isso confirma-se na última estrofe: “”assim a lenda se escorre a entrar na realidade”. Ou seja, o mito, a lenda, fecunda a realidade, gerando nela movimento e emoção que de outro modo não existiria. O mito surge como criador, de uma realidade que sem ele seria iminentemente estéril e infecunda: “em baixo, a vida, metade de nada, morre”.

O mito é assim a base de toda a nobreza, porque iniciador. Antes de Viriato, antes de Afonso Henriques, antes de todos os homens reais, há o homem-mito, a raiz da qual flui a energia do futuro, e da qual nasce o alimento para uma vida que sem ela seria pobre e sem fruto”.

Bibliografia: António Quadros, "Fernando Pessoa, vida, personalidade e génio"; Agostinho da Silva, "Um Fernando Pessoa".