mixtape do festival ATP selecionada pelo Animal Collective. http://soundcloud.com/allt
a média de vida de um logotipo de Saul Bass é de 34 anos: http://ow.ly/4ikom via @designrelated via raiza bruscky
tumblr maneiro do dia http://ideiasdefilmes.tumb
Ótimo blog sobre cinema africano com links p/ baixar! Vai! http://cine-africa.blogspo
quarta-feira, 30 de março de 2011
links lokos via twitter
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novidads
nova do Fleet Foxes.
novo disco vem aí...
http://stereogum.com/670101/fleet-foxes-bedouin-dress/mp3s/
http://stereogum.com/672322/fleet-foxes-grown-ocean-video/video/
clipe muito massa da tUne-yArds
http://stereogum.com/667941/tune-yards-bizness-video/video/
pra quem curte Beirut (eu acho muito mais ou menos)
ele fazendo cover de Caetano Veloso
http://stereogum.com/671971/beirut-o-leaozinho/mp3s/
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sábado, 26 de março de 2011
Recentemente fiz (ainda estamos dando retoques) junto com Raul Souza uma HQ falando sobre a Odisséia. Isso me lembrou deste poema... de Fernando Pessoa.
ULISSES
O mytho é o nada que é tudo.
O mesmo sol que abre os céus
É um mytho brilhante e mudo —-
O corpo morto de Deus,
Vivo e desnudo.
Este, que aqui aportou,
Foi por não ser existindo.
Sem existir nos bastou.
Por não ter vindo foi vindo
E nos criou.
Assim a lenda se escorre
A entrar na realidade,
E a fecundá-la decorre.
Em baixo, a vida, metade
De nada, morre.
análise do poema "ulisses"
http://www.umfernandopessoa.com/an%C3%A1lises/poema-ulisses.htm
O poema "Ulisses" enquadra-se na primeira parte de Mensagem: Brasão. A primeira parte, por sua vez, está encimada pela elocução latina Bellum sine bello (guerra sem guerrear). Na primeira parte de Mensagem, Fernando Pessoa expressa a nobreza da intenção.
Ulisses (em Grego Odisseu), foi uma das figuras míticas que chegaram ao nosso tempo através dos dois grandes relatos de Homero: a Iliada e a Odisseia. A tradição posterior coloca Ulisses como fundador de Lisboa. A raiz etimológica da palavra Lisboa vem da palavra Ulissipo – ou cidade de Ulisses. Claro que Pessoa identifica aqui, como tanto lhe agravada, a raiz do mito que conhece depois a realidade, ou seja, um mito que apesar de ser nada é tudo. “O nada que é tudo” é uma expressão que acompanha Pessoa na sua vida, porque ele próprio a determinado ponto deseja ser um mitologista, um criador de mitos, porque via nisso uma alta missão.
A inclusão logo na primeira estrofe de uma referência cristã misturada com uma referência pagã não é inocente. Como cristão gnóstico, Pessoa considerava Deus mais como símbolo do que como objecto de fé, e um símbolo útil, um símbolo utilizável, se quisermos, para reformar a sociedade dos seus tempos. Para os gnósticos, Cristo é o logos, o intermediário racional entre o Deus e o homem, sobretudo símbolo e mensageiro. Por isso se compreende que Pessoa consiga misturar Ulisses com referência a um Deus cristão. Para ele, ambos são símbolo de algo maior, símbolos de um destino a cumprir, que se seguiu à fundação de Lisboa.
A ambiguidade da segunda estrofe, que fala de “este, que aqui aportou” (Ulisses), “foi por não ser existindo” (porque o mito existe não existindo), “não existindo nos bastou” (porque o mito basta enquanto mito para criar algo mais do ele próprio), “por não ter vindo foi vindo. E nos criou” (mesmo sabendo que ele poderá não ter existido, ele existe não existindo e isso basta para criar, para basear a fundação da cidade).
Isso confirma-se na última estrofe: “”assim a lenda se escorre a entrar na realidade”. Ou seja, o mito, a lenda, fecunda a realidade, gerando nela movimento e emoção que de outro modo não existiria. O mito surge como criador, de uma realidade que sem ele seria iminentemente estéril e infecunda: “em baixo, a vida, metade de nada, morre”.
O mito é assim a base de toda a nobreza, porque iniciador. Antes de Viriato, antes de Afonso Henriques, antes de todos os homens reais, há o homem-mito, a raiz da qual flui a energia do futuro, e da qual nasce o alimento para uma vida que sem ela seria pobre e sem fruto”.
Bibliografia: António Quadros, "Fernando Pessoa, vida, personalidade e génio"; Agostinho da Silva, "Um Fernando Pessoa".
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18:13
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Lula Cortes
Notícia sempre chocante quando uma pessoa muito iluminada morre...
Queria ter conversado pessoalmente com Lula Cortes... ouvido suas histórias,
desfrutado dessa atitude rock zen...
LULA + CANIVETES
LULA
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sábado, 19 de março de 2011
Conheça agora ! WHITE FENCE
Uma das minhas novas bandas preferidas: WHITE FENCE!
Importantíssimo, parem tudo e ouçam.
A música deles é muito simples.
Ouçam.
O cara, Tim Presley, tem outra banda que ainda vou ouvir, Strange Boys,
e faz uns desenhos do caralho.
Baixem o disco deles aqui. Tem um mais recente, que eu não achei pra baixar ainda.
(tentem o Soulseek)
http://rachtyock.blogspot.com/2010/03/white-fence-white-fence-2010_09.html
Tem o blog
http://whitefenceartcollective.blogspot.com/
e o myspace
http://www.myspace.com/whitefenceband
Do disco White Fence (2010)
http://www.youtube.com/watch?v=KQ8OGOjpf8k
10 10
Do disco Is Growing Faith (2011)
http://www.youtube.com/watch?v=B_Bf1zz9ydo
11 11
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domingo, 6 de março de 2011
Campina Grande - Encontro da Nova Consciencia - atualizado diariamente.
chegar na rodoviária de Recife a tempo. Ligar pra _______. Ver cidadezinhas e casinhas bonitas no caminho. Pensar sobre gravações musicais. Desenhar. Ônibus pifa quando está quase chegando em Campina Grande. Descer na estrada e pegar outro ônibus. Motorista piadista. Chegar a rodoviaria e ser bem recebido pela tia e o paizinho dela. Relembrar uma cidade. Relembrar uma casa onde fui durante a infância muitas vezes. Comer um bom jantar. Ficar de conversa. Ficar com desarranjo. Tomar buscopan, melhorar. Ficar com insonia, um toque de desespero, nao dormir direito, mas acordar muito cedo e ir pro ENCONTRO. Mas saber que é só de noite. Ficar a manhá toda passeando. No sebo, comprar um livro de arte lindo para a mãe. Tentar voltar e pegar, aparentemente o onibus errado, continuar no onibus dando passeios e mais passeios, voltar, pegar integração, passar por outras partes da cidade. Passear mais pelo centro. Olhar com atenção as ruas, as lojas, as mulheres, tomar sorvete. Tem muito mais luz, mais céu e mais mendigos coxos do que em Recife. Ir na Lan House. Compra sandália legalzinha e barata. Ligar pra mãe. A tia liga. Diz que vai pegar. Volta, toma banho, e vai pro ENCONTRO. Encontra Karuna, que vende roupas indianas e ajuda ela montar estantes e botar roupas no cabide. Olhar os livros. Assistir palestra interessantissima e emocionante sobre pastor presbiteriano revolucionário. Ainda que falasse a lingua dos homens e falasse a lingua dos anjos, sem amor eu nada seria. Nehemias Marein. Voltar. Bater papos de facebook, papos de gmail, vitais, mensagens de um solzinho. Dormir muito bem. Acordar tarde para as palestras da manhã. Brincar de tocar piano com a filha da faxineira. Tomar banho de piscina. Ir para o ENCONTRO. Lobao e Alex Antunes, entre outros, aprender sobre os bastidores da musica, e da midia. Rabiscar desenhos na minha calça jeans. Bater papo com o maior tocador de cítara do Brasil, Alberto Marsicano. Conhecer desenhista paraibano. Comer. Beber. Saber sobre os ex=comungados das Testemunhas de Jeová, conversar com uma mulher mais velha. Sentar na roda de musica hare krshna. Receber "energia divina". Comprar revista da Rosa Cruz e uma pulseira dos indios Potiguara. Ver show de música indiana. Voltar cedo.
Conversar com brother do projeto que reutiliza sacos plásticos de leite como suporte para mudas de planta. Ver show de Alberto Marsicano na cítara + tocador de pandeiro. Fazer mapa astral. Palestra sobre populações ribeirinhas do Amazonas. Ter idéias para o projeto do meu disco. Um menino de dez anos com voz soprosa, gutural, se senta ao meu lado e começa a perguntas coisas como "Aquele cara tem mulher? Cadê o pai teu?". Palestras sobre tarô e astrologia. Palestra sobre o fim dos tempos segundo o Alcorão. Chorar copiosamente durante a palestra sobre violência doméstica. Etc, não me lembro muito bem.
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quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011
Duas músicas incríveis dos anos 70
Duas músicas incríveis dos anos 70.
Big Star _ BLUE MOON
Difícil pensar numa letra mais simples e mais perfeita do que essa de "Blue Moon" do Big Star.
Cortesia de Alex Chilton. Se ele não estivesse morto, dava vontade de encher ele de porrada por ter feito uma música tão bonita! QUE INVEJA! GÊNIO!
blue blue
Let me be your one light
and if you'd like a true heart
take the time to show you're mine
and I'll be a blue moon in the dark
While you sleep you'll see me there
clouds race across the sky
close your eyes and don't ask why
and I'll be a blue moon in your eyes
Morning comes and sleeping's done
birds sing outside
if demons come while you're under
I'll be a blue moon in the sky
Let me be your one light
and if you'd like a true heart
take the time to show you're mine
and I'll be a blue moon in the dark
Aerosmith _ DREAM ON
Essa vai pra quem só conhece o Aerosmith dos anos 90 pra cá....
a a
Everytime that I look in the mirror
All these lines on my face gettin clearer
The past is gone
It went by like dust to dawn
Isnt that the way
Everybodys got their dues in life to pay
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domingo, 6 de fevereiro de 2011
Caxabaxa
Banda de Adriano Cintra (Butchers Orchestra, CSS) back in 2006 ou antes....
achei esse clipe muito inspirado, embora ele seja bem linguagem Power Point
ou justamente por causa disso.
cx
cx
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terça-feira, 1 de fevereiro de 2011
Daniel Clowes, Flávio Colin
Uma consideração interessante que liga os aparentemente incompatíveis os quadrinistas Daniel Clowes (americano, nascido em abril de 1961) e Flávio Collin (Rio de Janeiro, 20 de junho de 1930 — 13 de agosto de 2002) : ambos, em algum momento, foram influenciados pelos gibis de terror da E.C. Comics, que foram por muito tempo os mais vendidos nos EUA, antes das leis do Comic Code Authority limitarem a exposição de cadáveres, corpos mutilados, assassinatos, torturas, etc.
E embora a E.C. tivesse artistas fenomenais, ela mostrava um estilo de narrativa totalmente ultrapassado. Com texto demais, legendas que interrrompiam a fluidez da narrativa, subestimando o poder de comunicação do desenho.
É por isso que folheei "Caricature", coleção de HQs curtas do Daniel Clowes, e não consegui me interessar em ler mais do que duas ou três histórias: ele segue esse padrão ultrapassado, embora de uma forma um pouco mais contemporânea, é verdade, e consegue estragar histórias de outra forma seriam boas. Uma das melhores é essa em que o cara é totalmente obcecado pelos anos 60, ou mais especificamente, 1966.
Eu soube que a Cia dos Quadrinhos vai lançar Wilson, o trabalho mais recente dele. E gosto muito do Clowes, espero que seja bom. Mas como Alan Moore disse certa vez, muitos dos quadrinhistas de vanguarda estão presos a uma visão adolescente e fatalista do mundo, carapuça que cai bem em alguns trabalhos do Clowes. Apropriadamente, Clowes fez o cartaz do filme de Todd Solondz, "Happiness", que é a cara de como tudo isso ficou ultrapassado. Esse afã totalmente negativista que pairava no ar em meados dos anos 90.
Não me entendam mal: Ice Haven, Ghost World, Como uma luva de veludo moldada em ferro são obras-primas, Clowes é um dos pilares da HQ contemporânea. Mas pessoalmente tomei um certo abuso dele.... quando notei que era um desenhista-cabeça: no sentido de que seus personagens tem cabeças grandes, expressivas, e corpos desajeitados.... e em como os balões dos personagens ocupam SEMPRE a parte de cima dos quadros, como se estivessem presos lá.... acho isso muito restritivo. Algo que também senti em Adrian Tomine. Além do excesso de texto das HQ curtas. O que não invalida as criações dele: mas que neste momento não fazem mais tanto sentido pra mim. Porque me parecem de uma pessoa que não consegue superar seu próprio cerebralismo e fica apontando o tempo todo os defeitos dos outros...
Recomendo um excelente Tumblr sobre Clowes:
http://fuckyeahdanielclowes.tumblr.com/
Quanto a Flávio Colin, as criações dele são muito interessantes. Quanto ao visual, são originais, originalíssimas, até. Mas quando eu comprei a coletânea "O filho do Urso", lançada pela Editora Opera Graphica, esperava um pouco mais das histórias e até que viesse com mais páginas... é ótimo que tenham lançado essa coletânea, mas acredito que Flávio Colin tem muitas histórias melhores e que um editora mais cuidadosa poderia lançar uma coletânea mais decente, mais volumosa, e se possível, com um design de bom gosto!
Colin pra mim é o equivalente brasileiro do Alex Toth. Sua narrativa é eficiente, o desenho é simples, despoluído, estilizado. É um dos raros artistas brasileiros a assumir um estilo tão simples, moderno, quando a grande maioria dos nossos artistas do gênero fantástico/terror (no qual Colin trabalhou por embora não tenha ficado restrito a ele) usava um traço poluído e ostensivo. A verdade é que muitas vezes o uso indevido de expressões exageradas prejudicava seu trabalho... prejudicava a "suspensão da descrença". Mas muitas vezes suas HQs eram prejudicadas por roteiros ruins, com tramas óbvias, tão característicos da E.C., roteiros que descreviam com palavras e desenhos a mesma coisa, sendo redundantes. Infelizmente essa tradição do "estilo E.C." prosseguiu tanto nas HQs brasileiras como em revistas como Creepy, House of Mistery, House of Secrets (as duas revistas da DC Comics), em que os textos em geral eram mais simples, mas sofriam com a mesma falta de boas idéias quase sempre....
Vou escanear uma HQ dele pra mostrar aqui no blog depois....
http://www.nostalgiadoterror.com/hqnostalgia/slides/flavio_colin1.html
Recomendo de Colin: "Estórias Gerais", "Vizunga", "A guerra dos Farrapos", entre outros.
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sobre quadrinhos e ilustrações: Pequeño Editor,
Sensacionais as fotos de uma convenção de 1982. No Flickr de Alan Light.
Len Wein, Jack Kirby, Frank Miller, Chris Claremont, entre outros.
http://www.flickr.com/photos/alan-light/sets/72157601430944410/
Uma história dos quadrinhos nos anos 80 (mais para pesquisadores do que para leitores casuais)
http://www.sandiegoreader.com/weblogs/bands/2008/sep/14/the-history-of-comic-books-in-san-diego-the-80s/
atualizado o meu flikr!
http://www.flickr.com/photos/germanra/
Gibi do Bob Esponja
Sai em fevereiro nos EUA. E ao que parece, além das HQs do personagem principal, vai ter seções variadas e colaboradores de alto nível: Gaham Wilson, Craig Thompson, Graham Annable, James Kochalka, Hilary Barta, Justin Green, etc. As crianças e marmanjos agradecem!
http://robot6.comicbookresources.com/2011/01/spongebob-comic-to-debut-next-month/
"O que aconteceria se Conan vivesse no século XX" http://www.retroist.com/20
Legal demais essa editora argentina http://www.pequenoeditor.com/novedades.htm
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sábado, 29 de janeiro de 2011
Premio Barba Negra é prorrogado... até 15 de fevereiro!
Atenção... jovens q fazem quadrinhos, oportunidade de publicar & receber grana! Eu mesmo andei meio ausente da vida social e das festas na Ilha de Caras porque estava fazendo um projeto pra esse prêmio!
"Devido à grande quantidade de pedidos, xingamentos e impropérios enviados por e-mail, twitter e facebook, a Editora Barba Negra e o Rio Comicon declaram prorrogada a data de entrega do material para o dia 15 de fevereiro de 2011. Se você estava achando o prazo apertado pode voltar para a prancheta, os 20 mil ainda podem ser seus."
Regulamento aqui
http://www.editorabarbanegra.com.br/newspost/mapa-do-tesouro/
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terça-feira, 18 de janeiro de 2011
Eddie Grant
Um cara que vale escutar : Eddie Grant. Quem nasceu nos anos 80 e nunca escutou "I Don´t Wanna Dance" no rádio? Apois vale a pena lembrar e isso é só o começo... baixaí alguma coletânea dele pra ver o que é bom.
d
d
Existem coisas bem fascinantes na biografia dele.
Primeiro, ele nasceu na Guiana! Pensa aí: quantos popstars guianenses você conhece?
Outra, eu descobri que o hit do Gorillaz, "Stylo" (que aliás foi uma das minhas songs preferidas de 2010) surrupiou elementos de "Time Warp", uma música dele. Saca aí o vídeo que compara as duas músicas. 2010 x 1982. O cara meteu processo e tudo, mas pensando bem, a música é tão básica... total, provavelmente Damon Albarn ouviu sim, mas construiu algo a partir daquela base simples. Acho que seria mais elegante o Gorillaz ter sampleado e creditado o sample.
Fora isso, olhar a trajetória dele é muito interessante. Ele fazia parte do THE EQUALS, grupo muito responsa dos anos 60, com sucessos como "Baby Come Back" e "Police On My Back" (regravada pelo The Clash). Era um grupo racialmente misturado, pioneirismo a gente vê por aqui. E ele sempre comentava temas politico-sociais nas letras ao mesmo tempo em que botava a tchurma pra dançar. Gosto pra caralho, a voz do cara é massa, as composições são legais. Mestre!
b b
Esse arranjo de "Baby Come Back" é sensacional....
Viva Eddie Grant!
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domingo, 16 de janeiro de 2011
Harvey Pekar : trabalhador dos quadrinhos
O grande Harvey Pekar morreu ano passado, uma pena, já que era uma das figuras mais interessantes do panorama das HQs.... Recentemente comprei o BOB & HARV, suas parcerias com Robert Crumb, pela editora Conrad, e baixei várias edições do American Splendor via torrent ou pelo sebo underground (claro, nem vou ler tudo isso agora, porque tenho preguiça de ler no computador - faz mal...) E assisti finalmente o FILME, American Splendor - Anti-herói Americano, que é muito muito bom. O que foi publicado de Harvey no Brasil? BOB & HARV, e como Laerte diz na introdução, saíram algumas HQs na Piratas do Tietê (mesmo sem autorização).... Recentemente, foi publicado OS BEATS, projeto coletivo sobre os escritores Beat, pela editora Benvirá.
A DC/ Vertigo havia publicado uma série nova com ele, uma oportunidade muito legal de vê-lo fazer parcerias com nomes bem diferentes: Gilbert Hernandez, Eddie Campbell, Ty Templeton, Josh Neufeld, Richard Corben, Hunt Emerson, Rick Geary, Darwyn Cooke... Seria legal ver esse material no Brasil, mas as editoras continuam reverenciando umas séries bestas da Vertigo que não fazem mais que reproduzir o status quo das séries de TV e dos filmes de Hollywood.
Chama atenção em Harvey Pekar: Ele tinha uma perspectiva única. Era uma perspectiva da classe trabalhadora, mais próxima do homem comum. Uma pessoa bastante cabeça, que colecionava discos de jazz, mas não era um "artista" (embora a gente saiba que o artista também é um operário).
Essa HQ "Working Man´s Nightmare" mostra isso de maneira brilhante, como a vida dele só fazia sentido através do trabalho. Em um certo momento do sonho, esquece QUAL é seu trabalho, e isso faz crescer o desespero dentro dele.... Ilustrado de maneira inesquecível por Gerry Shamray.
E quem era Harvey Pekar? Era um gênio? Acho que sim, mas de uma maneira pouco óbvia. Ele não tinha grandes recursos de criatividade. Ele basicamente documentava coisas que aconteciam na vida dele, tinha um ouvido atento e memória pra lembrar de diálogos impagáveis. Ele não sabia desenhar. Teve a sorte de conhecer Robert Crumb, e o impulso de lançar seu próprio gibi, de maneira independente. O livro sobre a geração Beat mostra que a narrativa dele era muito simples, podendo se converter em algo até maçante e óbvio demais quando não era bem ilustrada, mas em geral interessava pelo assunto....
O que ele registrava nas suas revistas era muito diferente das coisas que se fazia, pela despretensão, por ser autobiográfico numa era em que isso ainda não era comum. Mas mesmo com as toneladas de quadrinhos autobiográficos que são despejadas no mercado agora, não existe NADA IGUAL a American Splendor. Existe algo de muito contemplativo, algo dessa simplicidade e do registro de um mundo suburbano, desimportante, que parece estar em extinção... Algo que está livre das "sacadas espertas" de narrativa que às vezes tiram a credibilidade da narrativa.
Tem uma HQ muito engraçada, que mostra Harvey comendo e as pessoas chegando e criticando o que ele comia... ele só comia junk food. A reação natural é ler isso e conectar aos problemas dele com câncer. È da revista SNARF 06, de 1976, não sei se foi coletada nas antologias da American Splendor. Desenhos de L. B. Armstrong. Clique pra ampliar...
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12:06
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sábado, 15 de janeiro de 2011
Melecão
Só pra dizer uma coisa: Curtis Armstrong, o Melecão da série A vingança dos Nerds, é um dos atores mais carismáticos de todos os tempos, injustiçado e mal aproveitado por Hollywood.
m
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terça-feira, 11 de janeiro de 2011
retrospectiva musical 2010 nacional: melhores discos
Esse ano foi um ano interessantíssimo pra música brasileira. Esses discos que eu elegi são em geral, de pessoas com que eu tenho/ tive contato ou são amigos e parceiros. Mas, gente, eu sou do tipo que dizia pro irmão "Essa tua música é uma merda". Então vamos aos finalmentes:
os discos mais legais, os melhores brasileiros de dozmiledez foram, retrospectivamente:
// Tulipa Ruiz _ Efêmera //
// Karina Buhr _ Eu menti pra você //
// Jeneci _ Feito pra acabar //
// D Mingus _ Filmes e quadrinhos //
// DO AMOR //
// Jr. Black _ RGB //
Existem outros correndo por fora, que eu ainda estou escutando e parecem legais, ou que não deu pra discernir bem a sua importância, como o do Jair Naves, Juliana R., Bodes e Elefantes, Cláudio N, etc. (( Como eu disse num post anterior, esse ano eu ouvi menos música, pois fiquei ocupado mixando minhas músgas e etc. )) .
Acho que todos esses discos mostram uma renovação já há muito necessária no pop brasileiro. São em sua maioria estréias e me inspiram um sentimento do tipo “Pô, isso devia ter aparecido antes pros anos 2000 no Brasil ficarem mais legais”. Mas tão sinalizando positivamente que há muito o que esperar dos anos 2010. Estes discos trazem em geral uma liberdade grande de se misturar as coisas, de forma leve e despreocupada, e trazem boas COMPOSIÇÕES, marcando, se Jah quiser, o fim das bandas de instrumental lombrado ou composições meia-boca que assolavam o pop nacional (groove pelo groove = parnasianismo). Bem vinda, nova geração.
De modo geral, acho que a trinca Tulipa + Jeneci + Karina Buhr representa uma grande vitória da canção. Representam, cada um no seu estilo, uma extraordinária clareza, um poder de ser pop e comunicar alguma coisa, um conteúdo interessante, que mesmo quando é simples, nunca é simplório. Há anos eu não escutava discos tão bem resolvidos quanto esses três, no cenário nacional. Alguém se expressando tão bem em língua portuguesa, na plataforma palavra + musica. Tô exagerando? Olha que não.
TULIPA RUIZ : Sou fã de Tulipa desde sua fase "demo", somos amigos apesar das limitações geográficas.... Conhecia várias músicas dela, que no disco elas estão bem transformadas, com arranjos mais complexos. Presente em várias listas de melhores por aí, o que me deixa incrivelmente feliz. Já escrevi sobre o disco dela na revista O Grito!, algo tipo: "sua música parece tornar desnecessária a linha que separa a MPB do pop. Essa é uma qualidade que todo mundo persegue, desde a Tropicália dos anos 1960 (que é referência forte aqui), mas que poucas vezes é efetivada com naturalidade". O disco tem uma qualidade mais homogênea do que o do Jeneci, um pouco menos provocativa que o da Karina Buhr, é realmente o mais bem acabado de 2010.
Destaques >> "Pontual", "Sushi", "às vezes", "Efêmera".
T T
JENECI : Ouvi gente criticando o disco do Marcelo Jeneci por ele ser o que é: extremamente doce, positivo e quase monotemático, amoroso. Mas ele faz isso de uma maneira criativa, irresistível, muito competente. O talento dele em compor melodias assobiáveis é fascinante. Existem momentos, sim, em que soa besta pra mim e eu até desejaria que ele tivesse momentos mais experimentais. O que a gente tem que considerar é que uma opção estética do Jeneci, inclusive sente-se uma nítida influência de Roberto Carlos, até porque ele recrutou o arranjador dos discos do rei nos anos 70 (vou procurar o nome do cara depois, são 4 da manhã, gente! ps: Verocai!). Acho corajosa e generosa essa opção dele e essa coisa de fazer-se popular, sem se pautar por cabecismos e ser a coisa real, sem ironia. Sem falar na Laura Lavieri, a voz mais linda da música brasileira (empatada com Aninha Martins, do Sabiá Sensível, minha banda - YES, este post é bem pessoal, é o meu blog, CARAJOS!).
Destaques >> "Jardim do Èden", "Pense Duas Vezes", "Por que Nós", "Feito pra acabar".
J J
KARINA BUHR : O disco de Karina não me conquistou logo de cara. Tinha visto a performance dela num show, fiquei totalmente surpreso com a presença de palco, a renovação estilística (conhecia o trabalho dela com o Cumadre Florzinha, regional mode on), a banda era incrível. Escutei o disco, não bateu. Mas outro dia, há duas semanas atrás, em outro contexto, em outra casa, escutei o álbum todo prestando muito mais atenção. Com a oportunidade até de conferir o encarte. E sobressaiu o talento de letrista: Karina conseguiu mexer em vários temas aparentemente árduos de maneira criativa e elegante, utilizando estilos distintos pra cada canção. É curioso que o hit "Eu menti pra você", faixa 1, começa numa vibe parecida com a música "Efêmera", faixa 1 da Tulipa... existe muita parecença estilística entre esses discos made in SP (embora Karina tenha nascido na Bahia e seja pernambucana por excelência, tendo inclusive participado da Eddie). Mas existe em Karina uma coisa mais provocativa, mais agressiva no verso "Eu sou uma pessoa má, eu menti pra você..." e no teor crítica social, quase inexistente nos discos de Tulipa e Jeneci. Karina é muito mais concreta. Os três falam sobre a brevidade da vida: Tulipa na canção "Efêmera", Jeneci em "Dar-te-ei" e "Feito pra acabar", mas Karina liga isso ao suor, que "vira sofá, cadeira, mesa de centro, ou não vira nadam, vale nada, vira vento, a todo momento alguém vira pó", ligando essa brevidade, esse suor, esse desgaste, ao trabalho, ao valor do trabalho no capitalismo... Ironiza a lei do incentivo em outra faixa. A canção "Nassira e Najaf" foi uma das que estranhei a princípio, achando inicialmente que o problema era o sotaque. Mas não, o defeito dessa canção é a dicção e a velocidade com que as palavras são pronunciadas. (Um parentese, o estilo de cantar no disco como um todo é um tanto preguiçoso, o que causa um certo estranhamento). Voltando, Nassira e Najaf é a melhor canção política brasileira desde "Super Homem Plus" do Mundo Livre S/A, lançada em 2000, com a qual tem inegável semelhança temática, embora seja completamente diferente. Nossa, o texto sobre ela ficou o maior, mas acho que é bem isso: o disco dela faz pensar. MUITO. Destques >> Nassira e Najaf, Mira Ira, Vira Pó
K K
DO AMOR : O show da DO AMOR no Coquetel Molotov foi muito legal. Tem aquele baixista que o pessoal diz que parece acomigo (e como eu, gosta de fazer ridículos falsetes). Não acho que o disco seja todo bom, mas só por faixas como "Vem me dar", "Dar uma banda" e a versão de "Lindo lago do amor" já tá valendo demais. E tem uma coisa muito importante que é a despretensão dessa galera, o jeito como eles usam referências muito livres, axé music, carimbó. Acho que eles são músicos bons e tipo poderiam fazer aquelas coisas bem pretensiosas, mas tão aí na humildade, fazendo a galera se divertir. Muito legal mesmo.
DO DO
D MINGUS : É difícil pra mim falar desse disco, porque tenho muito contato com Domingos, que é um parceiro constante. A criatividade dele voa alto, ele consegue fazer coisas absurdamente boas praticamente sozinho, arranjos criados num quarto, misturando bateria do Addictive Drums (é assim o nome do programa?), com sua guitarra semiacústica, seus vocais, as participações especiais aqui e ali (inclusive de Matheus Mota, que também fez a bela capa) .... Então, simplesmente ouça. Dê uma chance. No nicho alternativo/ experimental, não sei se teve algum melhor.
D M D M
JR. BLACK : RGB é um disco incrivelmente popsambalanço, com marca autoral forte, que comunica menos pelas letras, mais pelo ritmo, pela postura tiração de onda com amor, aquele clima de feeling good music, totalmente maroto. E o cara é incrivelmente gente boa. Vai que é tua meu irmão!
JR JR
Não posso entretanto de deixar de recomendar seriamente (incorrendo no pecado da auto-promoção) o trabalho do blog Outros Críticos, que realiza anualmente uma coletânea chamada Bootleg, da qual sempre participam vários músicos importantes da atual cena brasileira. A coletânea Bootleg´10 tem gente da pesada como Jair Naves, Stela Campos (versão sensacional de John Lennon!), D Mingus, Laura Wrona, Matheus Mota, Grilowsky, Zé Manoel, Ana Gandhra, Zeca Viana e este German Ra que vos bloga. Me emocionou bastante a música do César Lacerda. Vale a pena olhar a lista deles de melhores do ano também...
E 2010 marcou meu primeiro lançamento oficial, do Ep Chuck Norris On The Heaven´s Door. E o clipe, em parceria com Victor Zalma. Mais música em 2011, aguardem... Sabiá, German Ra, Itamaracá. Tô com várias coisas aqui, só aguardando uma guaribada e o momento de serem lançadas.
Se estiver esquecendo alguma coisa, amore escusame.
Grande hits de 2010
// DJ CREMOSO // Ela sai de saia, de bicicletinha // brega do noiado // Vou não, posso não, minha mulher não deixa não. // Posição da rã
Hypes desnecessários de 2010:Emicida // A banda de Joseph Tourton
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quarta-feira, 29 de dezembro de 2010
Retrospectiva Musical 2010 internacional
Este ano nem prestei tanta atenção em música nova. LOGO este post ainda não está maduro e vai ser atualizado a medida que eu lembrar ou travar contato com mais coisas de 2010 (atualizações virão nos comentários). Estou ouvindo agora o "Swim" do Caribou e parece que é um grande disco. Sim, estou baixando Kanye West e se ele não prestar, juro que nunca mais baixo nenhuma "boa novidade" do rap.
Mejores músicas GRINGAS
Sobre os gringos, não consegui me fixar muito em um disco especificamente, mas destaco algumas faixas que ecoaram na minha cabeça.
// Beach House "Zebra" e
"Silver Soul" . Na real, essas músicas já estavam na retrospectiva do ano passado, mas repito aqui porque elas continuaram ecoando na minha cabeça, principalmente no começo do ano. E o disco "teen dream", oficialmente, é de 2010.
// Gorillaz "Stylo". Soa como um mix entre Kraftwerk e música negra/ disco do fim dos anos 70.
// Deerhunter "Earthquake", "Revival", entre outras do HALCYON DIGEST. Virando lugar comum o Bradford Cox aparecer aqui nas retrospectivas. Ano passado com seu outro projeto, o Atlas Sound... Tem culpa eu? o cara é bom mesmo.
// Happy Birthday "Subliminal Message". Versão ao vivo e em Estúdio . Curioso: quando eu comecei a ouvir mais essa música do que "Zebra", marcou uma nova fase na minha vida pessoal (Garanhuns feelings). Ela é boa de um jeito meio pegajoso, e a versão estúdio devia ser mais suja, mais seca, mas é GENIAL. O melhor fraseado de guitarra do ano.
// Born Ruffians "Sole Brother" ou "nova leigh". Esse novo disco, "Say it", é incrível.
NL NL
// Muito legal essa versão de Beethoven pelos Los Destellos. Embora não saiba se é de 2010.
// Melhor clipe de 2010? Provavelmente EL GUINCHO. "Bombay". Ainda vou escutar esse disco "Pop Negro".
Por falar em música latina, tem uma lista aqui q promete ser legal. Averiguar depois esse s discos. http://panamerika.fm/blog/panamerika-2010-albumes/
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segunda-feira, 20 de dezembro de 2010
Chico e os anos 90
Como ando pesquisando sobre os anos 90 para um roteiro, tenho pensado um pouco em Chico Science. Vou compartilhar com vocês.
. Repensando.
A música "jovem" de pernambuco não foi absorvida por 99% da população. Claro que uns 50% por cento da população não sabe o que é cultura. Ou tem a visão deturpada da cultura que é repassada pela rede globo e pela maioria dos meios de comunicação.
Chico Science conseguiu ser absorvido como ícone.
Mas eis o que eu penso:
apesar de ter sido o grande transmutador, a grande ruptura,
Chico sentia o peso de uma cidade atrasada, mesquinha, em que a pobreza material contamina o espírito.
Num ambiente como esse, a pessoa com tendência artística é reprimido violentamente.
Tudo parece dizer: Não faça nada, fique quieto, caladinho, seja um bom menino.
E nesse contexto, a articulação de Chico foi algo tão difícil de trazer a tona que veio embalada num conceito de marketing, de mangueboy, que era um saco já na época. Foi a sua forma de tentar transformar o problema - ser do RECIFE, na época em que isso não valia nada - em solução.
Por isso eu acho que Chico teceu momentos geniais, inestimáveis, mas vem de um processo de se auto-afirmar, que parece em alguns momentos ingênuo demais. Uma coisa que desaguou no ufanismo pernambucano chato, uma valorização falsa e superficial da cidade e de certas tradições, que representa apenas uma modernização da tendência de matar a cultura, a cultura que é viva e se transforma - a solução da sociedade é SEMPRE empalhar e deixar tudo num museu.
E hoje a música dele é lembrada na sua forma mais caricatural, às vezes durante o carnaval, ocasião em q já vi tocarem "A Praieira" inúmeras vezes.
A morte de Chico parece ter sido parte de um estranho complô que matou ídolos durante os anos 90. Algo não deliberado, mas que parece ter sido regra. Quando não morriam as pessoas, as bandas acabavam. Todas as carreiras desandavam, talvez por terem sido anos de transição, do surgimento e declínio do CD. Estamos agora encerrando os anos 2000, uma geração mais pulverizada, mais desencanada, mais distante das grandes gravadoras, mais auto-suficiente. Eu lembro os anos 90 - era adolescente - como uma mistura de ativismo e negativismo. O Nirvana, os quadrinhos da Vertigo, eram coisas que tinham um potencial libertador, pelo grau de niilismo com que se chocavam com certos valores, ao mesmo tempo que pareciam completamente auto-destrutivos. Moral da história? Não sei. Eu me sinto melhor nos anos 2000.
Estes pensamentos estão um pouco desconexos, eu sei. Mas achei melhor escrever do que esquecer...
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Trabalha, Daft Punk!
Samplear é do caralho! Mas tem gente que usa não como um recurso para criar, mas se aproveitam das criações dos outros e assinam seu nome lá.
O Daft Punk, em voga pela trilha sonora de TRON, é useiro e vezeiro nesse tipo de coisa. Assim é muito fácil ser genial e ganhar dinheiro e vender milhões de discos.
Ouçam essa música do Breakwater e depois a do Daft Punk
B
B
D
D
Pra quem quiser se aprofundar, tem esse link que o Tarta mandou, com os samples que eles usam....
http://fdefubeca.blogspot.com/2010/05/discovered-collection-of-daft-punk.html
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13:50
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terça-feira, 14 de dezembro de 2010
quando os vazios da fome não se tem com que cruzar?

Emocionadíssimo lendo Morte e Vida Severina em quadrinhos. Coisa fina mesmo. Adaptação feita pelo cartunista pernambucano Miguel (M. Falcão, de Timbaúba) para o poema de João Cabral de Melo Neto.
O mercado anda saturado de adaptações literárias burocráticas, broxantes, e o trabalho de Miguel é uma das exceções. Ele consegue ter uma vida própria, uma fluidez narrativa, graças ao traço excelente, à esperteza das metáforas visuais!
A versão em desenho animado foi lançada ontem, e está muito bem feita. Recomendo a todos... Podem ser encontrados na editora Massangana (fundaj- Derby - Recife).
—— Seu José, mestre carpina,
para cobrir corpo de homem
não é preciso muito água:
basta que chega o abdome,
basta que tenha fundura
igual à de sua fome.
—— Severino, retirante
pois não sei o que lhe conte
sempre que cruzo este rio
costumo tomar a ponte
quanto ao vazio do estômago,
se cruza quando se come.
—— Seu José, mestre carpina,
e quando ponte não há?
quando os vazios da fome
não se tem com que cruzar?
quando esses rios sem água
são grandes braços de mar?
—— Severino, retirante,
o meu amigo é bem moço
sei que a miséria é mar largo,
não é como qualquer poço:
mas sei que para cruzá-la
vale bem qualquer esforço.
—— Seu José, mestre carpina,
e quando é fundo o perau?
quando a força que morreu
nem tem onde se enterrar,
por que ao puxão das águas
não é melhor se entregar?
—— Severino, retirante,
o mar de nossa conversa
precisa ser combatido,
sempre, de qualquer maneira,
porque senão ele alarga
e devasta a terra inteira.
—— Seu José, mestre carpina,
e em que nos faz diferença
que como frieira se alastre,
ou como rio na cheia,
se acabamos naufragados
num braço do mar miséria?
—— Severino, retirante,
muita diferença faz
entre lutar com as mãos
e abandoná-las para trás,
porque ao menos esse mar
não pode adiantar-se mais.
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